
Discute-se em todos os cantos da cidade o novo contrato de concessão da água e esgoto firmando entre o Município de São Luiz Gonzaga e a AEGEA.
Como não se vive sem água, as pessoas têm de estar antenados sobre como irão acessá-la e a que custo. É o que se chama de preocupação com a SEGURANÇA HÍDRICA.
Todos sabem que o governo Leite vendeu a CORSAN para a AEGEA. Não soube administrar, então passou adiante, mais cômodo.
Por isso, a CORSAN já não é do povo gaúcho, os donos são outros.
Como consequência da venda, o fornecimento de água terá de gerar lucros, situação que, ao logo do tempo, vai afetar o bolso das famílias, especialmente dos trabalhadores.
Mas aqui na velha São Luiz Gonzaga o desassossego é ainda maior. Afinal, como vai ficar o fornecimento de água naqueles pontos em que o serviço é feito diretamente pela Prefeitura, atendendo peculiaridades socioeconômicas?
A discussão foi inciada tardiamente, todos irão concordar nesse aspecto. A concessão para a CORSAN/AEGEA, feita agora em junho, vai até o longínquo ano de 2062.
Ao término da vigência, vou ser um vovozinho simpático de 92 anos (sou cético, mas bati três vezes na mesa)!
A manobra foi feita na moita, por assim dizer. A opinião dos usuários do serviço, pelo que se sabe, foi considerada irrelevante, já que não foram consultados, sequer avisados previamente.
Penso que decisões importantes com a privatização da água devem ser discutidas longamente com a população (para além do mero formalismo), não apresentadas como fato consumado. Isso é básico numa democracia.
Mas, decididamente, nossa democracia tem sido seguidamente aviltada aqui e ali.
Embora se diga que nada mudará em relação ao abastecimento direto de água pela Prefeitura, não é o que consta no papel.
Para os desavisados: não se trata de uma opinião, mas do que está escrito e assinado.
Uma bisbilhotada no contrato de concessão, recomendo que todos façam, permite extrair que a CORSAN/AEGEA prestará os serviços de abastecimento de água potável e de esgotamento sanitário em regime de exclusividade, abrangendo a área urbana da sede do município e as áreas rurais contíguas à zona urbana.
O novo contrato também dispõe que qualquer alteração eventualmente efetuada pelo Município trará como consequência o reequilibro econômico-financeiro do contrato, leia-se, aumento do preço da água.
Se a Prefeitura fornecer diretamente água potável em determinados bairros, a cláusula de exclusividade da CORSAN/AEGEA será abalada, dedução óbvia. Mas, como escreveu em livro o Guilherme Pintto, o óbvio também precisa ser dito.
Embora o ajuste preveja o cumprimento de metas de forma progressiva, isso diz respeito à cobertura do serviço de esgoto! Em relação aos serviços de água, o índice de arrancada já se inicia em 99%.
Conclusão? A delegação para o abastecimento de água potável em área urbana da sede municipal e áreas rurais contíguas é, desde agora, total e exclusiva da CORSAN/AEGEA.
Assim andamos.
Falta faz um Sepé para gritar: esta água tem dono!
Mas, sejamos justos, há quem sempre esteve ao lado do povo lutando pela água pública e acessível!
Eu estive nessa luta, ao lado dos trabalhadores da CORSAN pública, por isso posso testemunhar. Lembro de outros, refiro dois, por razões evidentes: ANA BARROS e RODRIGO VELEDA.
2 comentários sobre “NOSSA ÁGUA TEM DONO – MAS PARECE QUE NÃO SOMOS NÓS!”