
Fazer saudação nazista é uma conduta desprezível. No entanto, pelo que se vê nestes tempos assombrosos, passou a ser um gesto bem-humorado ou até justificável pelo entusiasmo, pelo menos aos olhos de simpatizantes assumidos e não assumidos da extrema-direita.
Obviamente que essa gente conta com a condescendência das grandes empresas de mídia e das big techs, desincumbidas de suas responsabilidades de trazer sinais de alerta consistentes.
Conforme veiculado na mídia, ontem, 20/1/2025, Elon Musk, no discurso proferido em comício comemorativo à posse de Donald Trump, bateu no peito com a mão direita e estendeu o braço, com a palma aberta, executando a típica saudação sieg heil, usada pelos nazistas. Depois, repetiu o gesto.
Por todos os males trazidos pelo terror nazista, somado aos riscos do fortalecimento no neonazismo ao processo civilizatório, qualquer pessoa de bom senso e minimamente vinculada aos valores democráticos condenaria de forma direta o gesto de Musk.
Rejeitar o totalitarismo e o seu formato nazifascista, expresso no gesto do dono do “X”, é bandeira universal. Melhor, deveria ser.
Parcela considerável da grande mídia tupiniquim e internacional titubeia e fala em suposta saudação nazista. Covarde, não diz com clareza o que viu.
O pastor Brandon Galambos estava no evento e disse que o gesto de Musk foi bem-humorado, conforme amplamente noticiado.
Já a ADL, entidade de combate ao antissemitismo, afirmou na rede social “X” que Musk fez um aceno “estranho em um momento de entusiasmo, não uma saudação nazista”. A ovelha defendendo o lobo!
E outras tantas pessoas e entidades seguem nessa linha de negação do teor da saudação nazista feita pelo bilionário – e da mensagem totalitária que ele deliberadamente passou. O gesto nazista foi visto, mas a escolha é dar uma “interpretação conforme” às suas conveniências, um cumprimento romano.
Tem-se em curso uma perigosa normalização da estética nazista (que é uma forma de estética totalitária), propaganda e porta da entrada para a aceitação da ideologia nazista.
Estamos diante do início de uma gestão de extrema-direita nos EUA. Trump, em seus primeiros atos de governo, apresentou os seus métodos: preconceito, racismo, supremacia branca, homofobia, xenofobia, dominação e violência. Quer a prosperidade norte-americana pisando na cabeça do resto do planeta.
E aqui, diante da figura de Trump e Musk, viceja na elite brasileira o complexo de vira-lata, agora com o “charme”, ainda que disfarçado, da suástica!