
O Dia do Trabalhador se aproxima. E não há como pensar no mundo do trabalho nesse dia sem lembrar Karl Marx.
A gênese do 1º de maio está fincada nas lutas pela redução da jornada de trabalho para oito horas diárias. Antes da sua adoção, a classe patronal submetia os trabalhadores a carga horária muito estafante, chegando a dez, doze, quatorze ou até dezoito horas por dia, dependendo da época e do setor. Crianças, mulheres e homens, todos eram submetidos a essa jornada degradante.
Com a fixação da jornada em oito horas, ficou consagrada a escala 6×1, em que o trabalhador labora seis dias e descansa um, geralmente no domingo.
Aqui no Brasil, com a atual escala 6×1, o trabalhador fica impedido de se dedicar a outras tarefas de enriquecimento cultural e de convivência com as pessoas e com familiares (e mesmo os pejotizados trabalham quarenta e quatro horas semanais ou até mais).
Marx, na obra A Ideologia Alemã (1845), predisse que numa sociedade comunista as pessoas não estarão limitadas a uma única atividade produtiva, podendo se dedicar a exercer outras tarefas criativas, especialmente atividades culturais, de recreação e até de participação política.
Claro que essa percepção de Marx se distancia da experiência da “planificação” do socialismo “realmente existente” do Leste europeu, capitaneada pelo estalinismo.
A visão de Marx, naquele escrito, traz uma concepção social e econômica libertária, um comunismo que na medida de seu desenvolvimento se afasta tanto da figura do mercado como do Estado.
Assim, o pensador comunista sustentou que a libertação do trabalho não-criativo pressupõe, de um lado, o desapego à lógica da acumulação (mercado), e de outro, a rejeição da submissão dos indivíduos a um poder concentrado, autoritário, que falasse em nome da coletividade ainda que sem ouvi-la (Estado).
Fosse vivo hoje, possivelmente Marx revisasse sua posição sobre o Estado. Talvez a “sociedade política” seja o instrumento para garantir a participação, direta e indireta (penso em democracia participativa), dos produtores livres, mediando conflitos e auxiliando na organização da produção e distribuição da riqueza.
Hoje, o mundo do trabalho, inspirado no ideário de um comunismo libertário e humanista, reivindica a escala 4×3, já adotada, inclusive, em muitos países europeus. Nela, os trabalhadores passam a laborar quatro dias na semana, com três de folga, com sobra de tempo para exercer outras tarefas não alienantes.
Uma humanização no trabalho, sem dúvida!
Aliás, o fim da ultrapassada escala de trabalho 6×1, a ser substituída pela escala 4×3, já é objeto de uma PEC, que desde fevereiro deste ano tramita no Congresso Nacional.
Por certo, a redução da jornada de trabalho não é a solução definitiva. Mas abre uma porta, convenhamos.
Mais acima falei que Marx, vivo fosse, poderia ter uma visão diferente do Estado numa sociedade utópica desejada.
Mas certamente Marx não modificaria – e com toda razão – sua compreensão sobre os direitos de propriedade em relação às máquinas, à tecnologia e à terra.
Com efeito, a concentração dos meios de produção nas mãos de uma minoria, permitindo o acúmulo de capital e de poder, se mantida, nunca permitirá a construção de uma formação econômica e social de bem-estar comum.
No modelo vigente, sempre haverá fartura para os poucos proprietários e escassez para a grande maioria.
por certo ,a redação da jornada dê trabalho não e,a solução definitiva.mais ABRE uma porta
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