
Depois de muita chuva, as nuvens começam a se dissipar neste final de tarde na velha São Luiz Gonzaga.
Os invernos missioneiros, noroeste do Rio Grande do Sul, já não são tão intensos como de antanho.
Mas nestes últimos dias, quem mora nas canhadas ou no alto das coxilhas vermelhas vai concordar, a umidade e frio por dias prolongados faz reviver o passado.
E pela boa ciência da previsão do tempo, minha saudação aos meteorologistas, vem mais frio por aí. Madrugadas gélidas, zero grau!
Como se vê na imagem acima, já exigi a serventia do fogãozinho de lenha. Não é energia limpa, mas é o que temos para hoje!
Vejam, falo do frio, mas não quero romantizá-lo. Muitas pessoas, deserdadas do sistema econômico excludente, dentre elas crianças e idosos, não terão proteção digna aqui no sul.
Importa pôr a mão na consciência e refletir!
É comum o agronegócio, nossa intitulada “base econômica”, exaltar o orgulho da suposta politização da gauchada e do vigor econômico da produção de soja e gado, colocando para debaixo dos pelegos a alienação e exploração do trabalho urbano e rural envolvido.
Isso é expresso, de certo modo, na cultura local, em que algumas expressões artísticas, “por conveniência agradando os senhores” (como cantava o saudoso Cenair Maicá no Canto dos livres), reforçam a submissão e a “lealdade” do peão em relação ao seu patrão como algo necessário para a paz social.
Mas não há como esconder a realidade. A desigualdade campeia solta, numa contradição constrangedora entre o discurso e a prática social, econômica e política.
Na verdade, o grosso da riqueza do agro fica nas mãos e bolsos de alguns poucos grandes proprietários e (a maior parte) com a indústria de agrotóxicos, fertilizantes e máquinas agrícolas de alta tecnologia, lucros remetidos para fora do país.
Não sou contra o agro. Não é disso que se trata.
Acontece que o agro brasileiro – e o local segue na mesa toada – não tem projeto de Nação, senão defenderia de unhas e dentes, por exemplo, a industrialização e investimentos públicos em tecnologia e inovação.
Mas não é o que se vê. Basta lembrar que o Bolsonaro, quando presidente, incentivou e comemorou o acordo da Petrobras com o grupo russo Acron para a venda da UFN3, unidade de fertilizantes, situada em Três Lagoas (MS).
Mais dependência externa! E de um insumo muito utilizado pelo agro! Que “belos” patriotas!
Bolsonaro, com apoio e representando o agro, atacou universidades e a ciência. Criminalizou professores, pesquisadores e cientistas!
Não se esqueçam disso!
O agro cria pouca riqueza para o povo – não distribui -, além de impor um grande peso nos ombros dos brasileiros em razão do subsídio estatal do financiamento agrícola. E querem ampliar a conta com a securitização.
Quem de fato gera riqueza interna, empregos e a produz grande parte dos alimentos que vai para a mesa dos brasileiros é agricultura familiar, que gira em torno da pequena propriedade.
E antes de me mandarem para Cuba, já alerto: por lá todas as crianças têm teto, não passam frio à noite e dispõe de um saboroso prato quente de comida!
(Texto sem revisão ortográfica. Vamos fazer de forma coletiva? Vai lendo e sugerindo correções nos comentários!)