Moro, o Cavaleiro do Apocalipse caído

Sei de alguém que vai passar o Natal remoendo arrependimentos: o Sérgio Moro. Paladino da justiça e da luta contra a corrupção, Moro pediu exoneração do cargo de juiz federal para ser ministro do presidente que ajudou a eleger com suas decisões na condição de magistrado. Inegavelmente, a prisão política de Lula foi conditio sine qua non para a vitória de Bolsonaro e da ultradireita.

Agora, sem cargo de juiz e sem a “proteção” direta do Poder Judiciário, Sérgio Moro terá de conviver com seu novo chefe e o Bolsogate (clique aqui). Passou ileso no escândalo das fake news via whatsapp porque ainda não havia assumido publicamente o seu bolsonarismo diante dos crédulos. E no caso do “perdão” ao “caixa 2” de Onix Lorenzoni (ver aqui), apenas chamuscou-se.

Alguém mais desavisado vai argumentar que cabe somente ao clã Bolsonaro esclarecer o cheque de R$ 24 mil que a esposa do parter familias, Michelle, recebeu em 2016 de um sargento da reserva amigo de família há anos (lotadono gabinete de Flávio Bolsonaro), ou explicar como, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, o então assessor parlamentar Fabrício Queiroz movimentou R$1,2 milhão em suas contas de maneira “atípica”, conforme relado do COAF.

No entanto, Sérgio Moro se transvestiu de figura mitológica e encarnou um dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse, o Cavaleiro do Cavalo Vermelho (de cor de fogo), manuseando a Grande Espada (a da Justiça?). Semelhante ao cavaleiro bíblico, prometeu “guerras sangrentas”, só que contra a corrupção. Predisse impor terríveis flagelos e castigos em desfavor dos adoradores da besta (a corrupção) e do falso profeta (Lula).

Ora, o compromisso de Sérgio Moro de combater a corrupção exige dele uma reação rápida e enérgica contra o Bolsogate. Contudo, o que se tem é o silêncio do Cavaleiro do Cavalo Vermelho, sua espada está na bainha. Ao que tudo indica, o combate de Moro à corrupção é seletivo, não abrange sua nova grei. Assim agiu com juiz, assim agirá como ninistro de Bolsonaro (por isso, mesmo comandando o COAF a partir da janeiro de 2019, não acredito em medida concreta de Moro para revelar os porões do Bolsogate)!


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