O triunfo da lumpen-burguesia

CoxinhasCuba

O Brasil do golpe do pato amarelo, da Globo e do Temer, o país que colocou no cárcere, sem prova de culpa, o maior líder popular da atualidade, retornou ao mapa mundial da fome e destrói seu sistema público de saúde.

O próprio golpe, executado em nome do combate às “pedaladas fiscais”, logo a seguir “destipificadas” pelos algozes de Dilma, desonra o Brasil!

A condenação do Lula “à jato”, sem provas, com o objetivo claro de impedi-lo de concorrer às eleições 2018, sendo ele o favorito em qualquer cenário que se construa, é mais um indicativo de que os golpistas não têm quaisquer escrúpulos na execução de seu plano de tomada de poder e desconstrução das conquistas sociais.

Desemprego. Salários “congelados”. Combustíveis e gás de cozinha com preços exorbitantes. Dólar indomável e reservas sendo queimadas para segurar o tranco. A economia agoniza. Trabalhadores e excluídos, são duramente penalizados.

E a resistência?

A nossa burguesia – ou pelo menos grande parte dela – é indiferente a isso. Nesse momento está comemorando a diminuição de assalariados em aeroportos e a reforma trabalhista. E pressionando o Congresso Nacional para fazer a reforma previdenciária.

Mas nada é tão ruim que não possa piorar. Nossa burguesia é entreguista. E lá se foi o pré-sal e, agora, o refino. O apoio externo vai recebendo as recompensas prometidas por Temer e seus apoiadores.

A fome vem batendo às portas dos miseráveis. Mas não se pode esperar que a resistência parte destes lúmpens.

Caso os demais subalternos – falo aqui em especial dos assalariados – tivessem consciência de classe (ainda que só um pouquinho!), já teriam virado a mesa e posto os golpistas a correr! Os proletários não escutam o chamamento de Marx pela unidade e ação.

Ocorre que a hegemonia cultural, educacional e política é da burguesia. E assim foi mesmo quando Lula e Dilma governavam. Marx e Gramsci explicam (mas isso é uma outra conversa).

Na verdade, a esquerda brasileira colocou um pé na cúpula do Estado a partir da vitória de Lula (nunca fincou os dois, não teve força para isso) e, ainda assim, fez muito em termos de inclusão social. Mas não avançou na construção da consciência de classe do mundo do trabalho. A política de apaziguamento, para garantir uma base política no Congresso Nacional e evitar a revolta da Casa Grande, impediu avanços maiores sem termo de conscientização.

Aliás, qualquer tentativa de ir uma passo à frente provoca um tsunami, vide a “escola sem partido”.

O projeto liberal-burguês mostra sinais de decomposição em todo mundo, o capitalismo passa por grave crise, cuja ponta do iceberg despontou em 2007 na turbulência asiática que derrubou as bolsas em todo o mundo e na bolha imobiliária nos EUA (especulação no mercado hipotecário).

Mas aqui no Brasil os sintomas são piores. Ocorre que a nossa classe dominante reclama um aprofundamento do modelo rentista e de valorização do capital financeiro (em detrimento do capital produtivo). Gosta de papel que representa a riqueza – e não cuida da geração da riqueza. Especular rende mais que produzir…

Um parêntese. Marx, em “O Capital”, no Livro Primeiro (terceiro capítulo da primeira seção), sinalou que num certo estágio do capitalismo a

“(…) mercadoria é vendida, não para comprar mercadoria, mas para substituir a forma-mercadoria pela forma-dinheiro. De mera mediação da troca material, esta mudança de forma torna-se fim de si mesma (…)”.

Quando a economia não dispõe de riqueza (mercadorias, como produto do trabalho) para sustentar o papel (a forma-dinheiro), repassam a conta para os assalariados (sobrando também para os excluídos).

Para isso,  a burguesia parasitária conta com os poderes da República. E se alguém por lá, com voto popular, atrapalhar, golpeia-se. E se legitima o golpe via funcionamento dentro da “normalidade” das instituição. Para inglês ver…

No poder, falam em cortar direitos previdenciários e, ainda, congelar gastos sociais por duas décadas, medidas para combater a crise fiscal (não só falam, partem para a ação). O que não se quer contar: como o dinheiro foi transformado ele próprio em mercadoria, tem de ser entesourado para não se desvalorizar. Governo tem de diminuir gastos, bancos têm de reduzir a oferta de crédito.

Mas a principal causa da crise fiscal (pelo lado das despesas) são os recursos que o Estado repassa aos rentistas (e para quem ganha na administração do dinheiros dos rentistas, os bancos!) via serviço da dívida. Nessa brincadeira vai-se quase a metade do orçamento fiscal! Quer se entesourar, mas a gastança na ciranda financeira continua! Aqui se vê o propósito.

Neste cenário, o sistema produtivo, para  sustentar o sistema financeiro e, ainda sim, manter suas taxas de lucros, tem de ampliar a mais-valia, afetando salários e despesas previdenciárias. Aí entra as reformas trabalhista e previdenciária.

A burguesia nacional é tão atrasada (dependente e parasitária) que se encaixa no conceito de lumpen-burguesia, “zumbis” de uma velha sociedade, que sequer consegue sobreviver sem o socorro do Estado (que financia com os recursos do erário e protege com o sistema legal), totalmente desapegada a valores democráticos e humanitários.

António Guerreiro escreveu sobre a lumpen-burguesia italiana na era Berlusconi (vide aqui):

“A Itália assistiu na era Berlusconi ao triunfo de uma lumpen-burguesia que tanto no plano intelectual como moral perdeu o sentido da decência e do respeito.

Esta categoria da lumpen-burguesia não é uma invenção de Magris, mas ele dá-lhe um novo sentido: é uma classe que vive a euforia de uma nova inocência porque a vergonha, o mais íntimo sentimento do Eu, é um bem que ela não possuiu. E por isso é incapaz de sentir qualquer sensação de embaraço.

Como todas as criações do laboratório italiano , também a lumpen-burguesia se difundiu por todo o lado como um filme publicitário. Podemos encontrá-la entre nós, expondo-se na sua vacuidade, da Comporta às Avenidas Novas. “

Pois a lumpen-burguesia também se encontra por aqui em solo brasileiro, um espelho da italiana. E vai vicejando em sua mediocridade e despudor na exata medida do avanço do golpe.

Sobre o conceito de lumpen-burguesia, recomendo a leitura do seguinte post do português Moisés Ferreira, do site “Diário da Liberdade”‘Lupen-burguesia’, parasitas e decomposição.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s