
Defendo com honestidade o direito de culto e de crença, garantia fundamental que resguarda a fé, a religião ou até mesmo a ausência dela. A Constituição Federal define, inclusive, que a liberdade de consciência e de crença é inviolável.
Mas a liberdade de consciência também permite a análise e a crítica às crenças sobrenaturais, especialmente quando elas prejudicam a compreensão da realidade e trazem mais danos do que benefícios à sociedade.
Me chamou a atenção uma notícia veiculada no G1, acesso à matéria aqui, sobre a designação de padre na Serra Gaúcha para atuar como exorcista. Nada contra o ministro religioso em questão, deve ser uma pessoa extraordinária. O ponto é outro. Trago o exorcismo em pleno 2026 – e poderia ser a promessa de proposperidade, as curas miraculosas ou a jogatinha virtual – como gatilho para reflexão mais geral.
Sempre imaginei que este século seria o do avanço tecnológico, do primado da educação, do secularismo e da ciência. Finalmente, o século do esclarecimento preconizado por Immanuel Kant, em que o homem deixaria sua menoridade intelectual, ingressando em sua fase adulta.
Pura ilusão, utopia. Os demônios e o sobrenatural sempre retornam para explicar fenômenos naturais. Sempre emerge o ópio do povo, o remédio ilusório para aliviar as dores das injustiças e das mazelas da vida, como lecionou Karl Marx na obra Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel.
Mesmo as inovações tecnológicas, como a internet, abrem janelas para o fortalecimento de preconceitos e de dispersão/negação da realidade, vide redes sociais.
Talvez a humanidade, até sua extinção, fique imersa no caos e na ilusão, com pequenos lampejos de lucidez.
E os mais espertos, com boa ou má-fé, continuarão proprietários dos meios de produzir a riqueza e a tecnologia, desfrutando do que se fabrica na ponta, sem inclusão das massas.
Para apaziguar rebeldias, a distribuição de migalhas, apostas em bets, crenças e demônios.
Dito isso, nada de desânimo. Vamos reeleger Lula!
Se uma mundo perfeito é inatingível, é possivel construir um melhor, um Brasil com mais inclusão, sem fome!